segunda-feira, outubro 16, 2006

Grandes Portugueses: D. Dinis

Voto enviado! Ainda andei a pesar uns quantos nomes a ver se chegava a uma figura de peso que me agradasse, mas finalmente lá me decidi por aquela que fora a minha intenção de voto inicial: el-rei D. Dinis, sexto monarca de Portugal. E porquê? Porque foi um dos melhores chefes de Estado que este país já teve, alguém que esteve na origem de três coisas que fizeram de nós parte da História e cultura universais.

Comecemos pelas Letras. Camões e Fernando Pessoa foram sem dúvida grandes vultos da literatura nacional, mas quem fez do português a língua oficial de Portugal foi D. Dinis, tornando-o de uso obrigatório na chancelaria real e conferindo-lhe, assim, o estatuto necessário para seu desenvolvimento enquanto idioma erudito. O próprio rei foi ele mesmo um escritor e poeta, presumivelmente o primeiro monarca português que não era analfabeto, tendo-nos deixado diversas obras temáticas e mais de 130 cantigas, numa época em que o prestígio da poesia trovadoreca de aquém e além Minho era tal que quando o rei Afonso X de Leão e Castela compôs as suas cantigas, fê-lo não em castelhano ou leonês, mas em galaico-português.

Nas Ciências. Foi D. Dinis quem em 1290 fundou a primeira universidade portuguesa, inicialmente sediada em Lisboa, mas acabando por se fixar em Coimbra. Lançou, assim, as bases da erudição académica e científica em Portugal que viria a gerar ilustres "frutos" como o matemático Pedro Nunes.

Finalmente, na espansão marítima. É verdade que o Infante D. Henrique foi o grande obreiro dos Descobrimentos Portugueses, mas tal não lhe teria sido possível se não tivesse uma frota por onde começar. Foi D. Dinis quem laçou as bases da marinha nacional, criando o almirantado português e pondo ao serviço do país as aptidões de um genovês de nome Manuel Pessanha. Paralelamente, criou a Bolsa de Mercadores de modo a dotar os comerciantes de uma forma de seguro marítimo. E há que não esquecer ainda a Ordem de Cristo, aquela de que o Infante D. Henrique foi grão-mestre e cuja riqueza ele usou para lançar os Descobrimentos, mas que foi criada por intervenção de D. Dinis. Corria o ano de 1312 quando o Papa pôs fim aos Templários e o Rei Poeta tratou de entrar em negociações com Roma para a criação de uma nova ordem que herdasse os bens dos Cavaleiros do Templo. Os seus esforços seriam bem sucedidos em 1319 com o nascimento da Ordem de Cristo.

Para além destes pilares da nossa universalidade, há mais coisas a dizer sobre D. Dinis. Foi ele quem estabeleceu as fronteiras actuais de Portugal pelo Tratado de Alcanises em 1297, sendo que a única alteração de lá para cá foi a ocupação de Olivença em 1801. Reforçou a independência nacional ao conseguir a separação do ramo português da Ordem de Santiago do seu mestre castelhano, assinou um tratado de comércio com Inglaterra em 1308, fundou novas povoações e dinamizou o comércio atribuindo privilégios à realização de feiras francas, ordenou a exploração de minas de prata, ferro, cobre e estanho, confirmou a crescente estatuto de Lisboa como capital, enfrentou os abusos de poder da nobreza do seu tempo por meio das Inquirições Gerais e, como todos nós sabemos, mandou plantar o Pinhal de Leiria. É ainda hoje a maior massa florestal de Portugal, património de valor já por si mesmo, mas mais ainda num país que teima em arder todos os anos.

Rei Poeta, Rei Lavrador ou Rei Trovador, D. Dinis foi seguramente um grande português. Fica a pergunta de porque é que ele nunca teve direito a uma moeda comemorativa como tantas outras que já se cunhou para celebrar datas e figuras dos Descobrimentos ou mesmo da Fundação.

3 comentários:

al cardoso disse...

Concordo cem por cento, foi sem duvida um estadista, que parece que com algumas excepcoes, nao abundaram neste "jardim de pinhos" que as novas geracoes, querem transformar em deserto negro.
Foi tambem ele que concedeu um foral renovado, a minha antiga vila de "Algodres" em 1314.
ja tenho vindo ao seu "sitio" varias vezes, vou linka-lo para ser mais facil, se nao houver problema consigo.

Um abraco serrano.

Anónimo disse...

olá, parece que Portugal é um projecto Templário desde o início dos tempos, e que no documento de doação do convento de Tomar à ordem de Cristo, após extinção dos Temnplários, vem citado o nome de Porto Graal.

Se não conhece, vale a penja conhecer o castelo de Extremoz, que tem anexa a sala de audiências do rei D. Dinis.

abraço

py

Franco disse...

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