quarta-feira, julho 25, 2007

Dia da Galiza

Tradicionalmente o Dia de Santiago, 25 de Julho é também o Dia da Galiza. A escolha da data não está isenta de polémicas pelas tradições político-religiosas que lhe estão associadas, mas para efeitos oficiais é hoje a efeméride em que se honra a Pátria Galega. O dia interessa a um português porque não se está a comemorar Espanha no seu conjunto, mas apenas a nacionalidade história de uma parte do Estado espanhol, mais concretamente aquela que foi o berço da língua portuguesa e a génese de Portugal.

Não é demais lembrar que a lusofonia nasceu na Galiza, que D. Afonso Henriques falava na mesma língua que era usada a norte do rio Minho e que as conquistas portuguesas levaram o idioma para sul até ao Algarve. Há que lembrar que El-Rei D. Dinis escreveu em galego-português medieval e que foi essa a língua, a originária da Galiza, que ele tornou oficial em Portugal e que constitui a forma antiga do idioma português. Há que ter em mente que a quebra dessa unidade linguística ainda no século XV não se ficou a dever a uma hipotética evolução natural do galego, mas que teve origem na imposição do castelhano como única língua das elites políticas e religiosas na Galiza, levando a que a norte do rio Minho o nosso idioma ficasse privado de protecção oficial, de uma tradição escrita erudita e se resumisse à quase completa oralidade. Muito ao contrário do que sucedeu com o galego-português em Portugal. Foi preciso esperar pelo século XIX para na Galiza surgirem homens e mulheres de cultura que voltassem a tentar escrever a sua língua nativa e neles encontrava-se já a génese do reintegracionismo galego, ou seja, da recuperação da forma nativa língua galega, naturalmente limpa do peso de séculos de influência do castelhano, próxima do português padrão e, como tal, parte da Lusofonia. Não foi por mero acaso que as reuniões que deram origem aos dois Acordos Ortográficos da Língua Portuguesa contaram com a presença de uma delegação galega.

Tudo isto faz de portugueses e galegos irmãos, de Portugal e da Galiza nações gémeas, porque de um único núcleo nasceram as duas. Basta recordar que a faixa noroeste da Península Ibérica era tido como parte do território galego nos primeiros séculos da "Reconquista Cristã", que quando Fernando I de Leão e Castela morreu e o seu império foi dividido pelos seus filhos, a Garcia coube o Reino da Galiza no qual se inseria o Condado Portucalense. Foi contra o mesmo Garcia, aliás, que o conde portucalense Nuno Mendes tentou, sem sucesso, declarar em 1071 a independência de Portucale. A sua derrota daria, no entanto, origem ao Reino da Galiza e Portugal, o mesmo que a mãe de Afonso Henriques e Fernão Peres de Trava tentaram recriar.


Do sul para o norte do rio Minho, uma saudação aos galegos e desejos de que um dia sejam uma nação soberana.

2 comentários:

al cardoso disse...

Viva Santigo e a lingua "Galaico-portuguesa"!

Carla Montes disse...

Mais do que Portugal ou Galiza, o que interessa é a Portugaliza.
http://portugalicia.atspace.com/